Respirar literatura





A primeira noite do 17º Encontro Regional do PROLER abriu com casa cheia e participantes de diversas cidades, como Blumenau, Brusque, Gaspar, Pomerode, Indaial e Timbó.

Após um dia exaustivo de trabalho e quilômetros de viagem (para alguns), a música da Banda Municipal de Blumenau cai como um bálsamo anunciador de tudo de bom que será vivenciado, durante as quatro noites de diálogo sobre livros, leitura, literatura e bibliotecas.

Adriana Falcão não veio por conta de um acidente doméstico, por isso, o palestrante da noite foi o premiado escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder, com a temática “Formação do leitor”.

Carlos contou sua história de vida com a leitura, iniciando pela infância em Trombudo central, quando dos dois lados da rua no caminho da escola, havia vaca e pasto, e na rua, muito pó, por isso “o melhor era andar de boca fechada”, brinca o escritor..

Em Trombudo não havia biblioteca pública funcionando, então ele pedia para a mãe levá-lo à biblioteca de Rio do Sul, onde pegava três livros a cada quinze dias. Ele lia de tudo, algumas vezes levava pra casa livro de filosofia, por exemplo, e lia sem entender muito. Talvez por isso, pela falta de biblioteca pública em sua cidade, Carlos não tenha lido literatura infantil na infância.

Mas o que veio definitivamente colocar a leitura em sua vida foi a casa dos avós, em Blumenau, repleta de livros e coleções de clássicos, inclusive algumas coleções em diversas línguas, pois sua avó, exímia leitora, dominava vários idiomas.

Em nenhum momento o escritor cita a escola como propulsora na sua história pessoal de leitura. Vai ver isso se deu, entre outras coisas, por ele ser da geração das escolas sem biblioteca e do ensino de português focado apenas na gramática.

Segundo Carlos, é preciso difundir a imagem da leitura no Brasil. Por isso defende que os mediadores de leitura circulem com livros nas mãos. Para Schroeder, o livro é o objeto mais revolucionário de que dispomos hoje, pois ainda podemos ler um livro na íntegra sem ter que assistir nenhum comercial.

Outra sugestão do palestrante aos mediadores de leitura é que procurem sair da zona de conforto, busquem ler novos autores e clássicos, nacionais e estrangeiros. Citou a internet como uma ferramenta para auxiliar na busca de informação sobre livros interessantes .

Apesar de o Brasil ser um país com poucas imagens de leitura, as políticas públicas estão aí, e os movimentos em prol da leitura também, inclusive a maioria das escolas da nossa região já dispõe de bibliotecas. Assim, penso que, como prega Carlos, o que mais nos falta enquanto mediadores de leitura é “respirar literatura”.

Suzana Mafra
Bibliotecária e escritora, integrante do Comitê do PROLER
Trabalha na Prefeitura de Brusque



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