Diálogo com Adriana Falcão no 18º PROLER

Foto: Gláucia Maindra


Adriana Falcão é magra, com jeito de sapeca. Nunca pensou em ser escritora, mas acabou sendo. Aos 16, leu O estrangeiro de Camus, livro que marcou a sua vida.

Tudo em sua vida profissional acontece meio por acaso. Casou com um professor de matemática que abriu uma escola. Adriana redigiu o texto que saiu no jornal para divulgar o empreendimento. Um conhecido gostou e a indicou para uma vaga numa agência de publicidade. Adriana virou redatora chefe dessa agência.

Separada do primeiro marido, casou com João Falcão, diretor de teatro. Morando no Rio de Janeiro, um programa em que João trabalhava para a Globo, precisou de um texto escrito por mulher. João sugeriu o da Adriana e o diretor gostou. Foi assim que começou sua carreira como roteirista de TV e cinema.

Mas o que Adriana mais gosta de fazer é ser escritora. Tem mais de dez livros publicados, o mais famoso é Mania de explicação que, originariamente, foi uma crônica escrita para a revista Veja.

Adriana explicou as diferenças de escrever para televisão e publicar livros. “No livro escrevo o que quero, para a TV, escrevo pensando no programa e no trabalho da equipe”.

A palestra aconteceu como um diálogo aberto, ela e o mediador anunciaram logo no início que os ouvintes podiam fazer perguntas no momento que quisessem,

Adriana veio de carne e riso. Adriana é simples e doce.

Apaixonada por literatura e leitura, falou sobre as leituras atuais, mas confessou que sobra pouco tempo para ler. Tem lido Mia Couto e Valter Hugo Mãe. Seu cronista preferido é Paulo Mendes Campos.

Todas as perguntas foram respondidas com sincera simplicidade. Adriana insere pequenos diálogos para ilustrar circunstâncias de sua vida e seu trabalho, divertindo a plateia.

Adriana é irresistível.

Eu me lembrei daquele vídeo disponível na internet, contendo a única entrevista televisiva feita em vida com Clarice Lispector. Pois assim como Clarice, Adriana veio inteira. Ambas moraram em Recife, mas não nasceram lá. Senti na Adriana a mesma paixão pela literatura que vejo na Clarice: entrega total.

Clarice dizia: escrevo com o corpo.

Adriana pode dizer: escrevo com o corpo rindo.

 
Suzana Mafra é escritora, poeta e membro do PROLER



Foto: Daniela Rodrigues

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